Blog
Finanças & IA
Due diligence: o que é, tipos e como fazer | Guia Completo

Due diligence: o que é, tipos e como fazer | Guia Completo

André Apollaro
André Apollaro
Co-founder & CEO, Payfy
Due diligence: o que é, tipos e como fazer | Guia Completo

Due diligence é o processo de investigação e análise detalhada realizado antes de uma transação comercial relevante — fusão, aquisição, investimento ou parceria. O objetivo é simples: entender a realidade do negócio, identificar riscos ocultos e tomar decisões com base em dados concretos, não em suposições. Quem compra uma empresa herda tudo: ativos, contratos, passivos fiscais, trabalhistas e contingências que podem comprometer o negócio inteiro.

No Brasil, o processo ganhou relevância com a Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013), que estabelece responsabilidade objetiva para empresas. Isso significa que sua organização pode ser responsabilizada por atos de terceiros que agiram em seu nome — mesmo sem intenção. A due diligence deixou de ser uma boa prática e passou a ser uma necessidade operacional.

Este guia cobre o que é due diligence, os principais tipos, como executar o processo passo a passo, quais documentos levantar e como a tecnologia pode acelerar cada etapa. Vamos lá.

O que é due diligence?

Due diligence — traduzida como "diligência prévia" ou "diligência devida" — é um procedimento estruturado de investigação que antecede uma decisão de negócios. Envolve análise financeira, jurídica, contábil, fiscal, trabalhista, operacional e, cada vez mais, tecnológica e ambiental.

O conceito surgiu no mercado financeiro norte-americano com o Securities Act de 1933, como proteção para corretores que precisavam demonstrar que investigaram adequadamente os papéis que vendiam. Hoje, o termo é usado amplamente em qualquer contexto onde uma parte avalia outra antes de fechar um acordo.

Na prática, a due diligence responde a três perguntas centrais:

  • O negócio é o que parece ser?
  • Quais riscos estão escondidos nos números e nos contratos?
  • O valor proposto reflete a realidade econômica da empresa?

Due diligence vs. auditoria: qual a diferença?

A confusão entre os dois processos é comum, mas eles têm objetivos distintos.

A auditoria verifica se os registros contábeis e financeiros foram feitos corretamente, em conformidade com as normas. Ela analisa por amostragem e tem foco retrospectivo — o que aconteceu e se está registrado corretamente.

A due diligence vai além: analisa todos os dados disponíveis, não por amostragem, e tem foco prospectivo — o que o negócio representa para o futuro do comprador ou investidor. Ela inclui a auditoria como um dos seus componentes, mas abrange dimensões jurídicas, trabalhistas, ambientais e estratégicas que a auditoria tradicional não cobre.

Tabela due diligence · HTML
Aspecto Due Diligence Auditoria
Foco Valor real e riscos futuros Precisão dos registros atuais
Escopo Multidisciplinar (financeiro, jurídico, trabalhista, ambiental) Principalmente contábil e fiscal
Método Análise de todos os dados disponíveis Análise por amostragem
Objetivo Subsidiar decisão de negócio Verificar conformidade legal e contábil

Quais são os principais tipos de due diligence?

O escopo da due diligence varia conforme o contexto da transação. Em fusões e aquisições (M&A), o processo costuma ser mais abrangente. Em parcerias comerciais ou contratação de fornecedores, pode ser mais focado. Conheça os tipos mais relevantes.

Due diligence financeira

É o núcleo do processo. Analisa toda a estrutura econômica do negócio, incluindo gestão de custos, demonstrações financeiras, fluxo de caixa, EBITDA, qualidade de resultado, capital de giro e dívida líquida.

O objetivo é verificar se os números apresentados refletem a realidade. Passivos ocultos, receitas infladas, dívidas não declaradas e provisões insuficientes são os principais red flags identificados nessa fase.

Due diligence jurídica

Analisa contratos sociais, acordos de acionistas, contratos com clientes e fornecedores, propriedade intelectual, litígios em andamento e histórico contencioso. É especialmente crítica em operações de M&A, onde o comprador herda todos os passivos judiciais da empresa adquirida.

Due diligence contábil e fiscal

Verifica o cumprimento das obrigações tributárias, analisa livros fiscais, certidões negativas da Receita Federal, PGFN, estados e municípios, e identifica contingências fiscais que possam impactar o valor da transação ou gerar passivos futuros.

Due diligence trabalhista

Avalia o quadro funcional, contratos de trabalho, passivos trabalhistas (explícitos e ocultos), acordos coletivos, encargos e histórico de processos na Justiça do Trabalho. Horas extras não pagas, ausência de férias e irregularidades no FGTS são problemas frequentes identificados nessa análise.

Due diligence de compliance

Verifica se a empresa opera em conformidade com a legislação vigente, incluindo a Lei Anticorrupção, LGPD, normas setoriais e regulatórias. Analisa se há relações suspeitas com agentes públicos, Pessoas Politicamente Expostas (PEPs) no quadro societário e histórico de irregularidades.

Due diligence de terceiros

Aplicada antes de contratar fornecedores, prestadores de serviço ou parceiros comerciais. Avalia aspectos financeiros, jurídicos, trabalhistas e reputacionais de terceiros que atuarão em nome da empresa. Sob a Lei Anticorrupção, sua empresa responde pelos atos desses terceiros.

Outros tipos relevantes

  • Due diligence ambiental: identifica passivos ambientais, licenças e conformidade com legislação ambiental — essencial em setores industriais, agronegócio e imobiliário.
  • Due diligence tecnológica (IT due diligence): avalia infraestrutura de TI, segurança da informação, licenças de software e conformidade com a LGPD.
  • Due diligence imobiliária: analisa documentação de imóveis, pendências, penhoras e regularidade junto a órgãos municipais.
  • Due diligence ESG: avalia práticas ambientais, sociais e de governança corporativa — crescente em processos de investimento e parcerias internacionais.

Quer entender como uma plataforma de gestão de despesas pode preparar sua empresa para processos de due diligence com dados organizados, rastreáveis e prontos para auditoria? Agende uma demonstração gratuita com a Payfy e veja como funciona na prática.

Quando e por que fazer due diligence?

O processo é recomendado sempre que uma decisão relevante envolve assumir riscos de terceiros. Os cenários mais comuns são:

  • Fusões e aquisições (M&A)
  • Investimentos em participação societária
  • Abertura de capital (IPO)
  • Contratação de fornecedores estratégicos
  • Parcerias comerciais de longo prazo
  • Concessão de crédito corporativo
  • Auditoria interna preventiva

Mesmo quando não há transação iminente, a due diligence interna é uma prática saudável. Ela permite que os gestores tenham uma visão real do estado da empresa — identificando fragilidades antes que se tornem problemas maiores.

A Petrobrás, por exemplo, exige due diligence de todos os fornecedores antes de formalizar contratos. Essa prática se espalhou para outros setores à medida que a responsabilidade objetiva por atos de terceiros passou a ser uma realidade legal no Brasil.

{{banner-despesas}}

Como fazer due diligence: passo a passo

O processo de due diligence segue uma sequência lógica, independentemente do tipo ou da complexidade da operação. O que varia é o escopo e a profundidade de cada etapa.

1. Planejamento e definição de escopo

Antes de qualquer análise, defina o objetivo da due diligence. Uma aquisição total exige escopo diferente de uma parceria comercial. Nessa etapa, a equipe responsável mapeia as áreas que serão analisadas, os documentos necessários e os prazos do processo.

Todas as partes envolvidas devem assinar um acordo de confidencialidade (NDA) antes de acessar qualquer documento. A due diligence lida com informações altamente sensíveis — dados financeiros, contratos, passivos e estratégias que não podem ser expostos.

2. Formação da equipe multidisciplinar

A due diligence exige profissionais de diferentes áreas atuando de forma integrada. A composição típica inclui:

  • Advogados (jurídico, trabalhista, tributário)
  • Contadores e auditores
  • Economistas ou analistas financeiros
  • Especialistas em TI (quando houver due diligence tecnológica)
  • Consultores ambientais (quando aplicável)

O recomendado é manter a equipe enxuta. Quanto menos pessoas com acesso às informações sigilosas, menor o risco de vazamento e mais eficiente a comunicação interna.

3. Levantamento e análise de documentos

Esta é a fase central do processo. A equipe solicita os documentos necessários e os analisa em profundidade. Os documentos mais comuns em uma due diligence financeira e contábil incluem:

  • Demonstrações financeiras dos últimos 3 a 5 anos (balanço patrimonial, DRE, fluxo de caixa)
  • Certidões negativas federais, estaduais e municipais
  • Livros fiscais e registros contábeis
  • Comprovantes de recolhimento de tributos
  • Contratos com clientes, fornecedores e colaboradores
  • Atas de reunião do conselho e assembleias
  • Histórico de processos judiciais e administrativos
  • Registros de propriedade intelectual e ativos imobilizados

Muitas empresas utilizam data rooms virtuais para organizar e compartilhar documentos com segurança. Plataformas especializadas permitem controlar o acesso, rastrear quem visualizou cada documento e manter um registro completo das interações.

4. Identificação de riscos e red flags

Com os documentos analisados, a equipe mapeia os riscos encontrados. Os principais red flags em due diligence financeira incluem:

  • Discrepâncias entre receitas declaradas e fluxo de caixa real
  • Passivos fiscais não provisionados
  • Concentração excessiva de receita em poucos clientes
  • Dívidas não reportadas ou garantias fora do balanço
  • Contratos com cláusulas de rescisão onerosas
  • Processos trabalhistas em volume acima do esperado para o setor
  • Irregularidades ambientais com potencial de autuação

5. Elaboração do relatório final

O processo culmina em um relatório estruturado que apresenta os achados, os riscos identificados e as recomendações para mitigação. O relatório serve de base para:

  • Renegociar o preço da transação
  • Incluir cláusulas de garantia e representações no contrato
  • Estabelecer escrow accounts para cobrir passivos identificados
  • Decidir pela desistência da operação, se os riscos forem inaceitáveis

Due diligence financeira e o papel da gestão de despesas corporativas

Um aspecto pouco explorado nos guias sobre due diligence é o impacto da organização interna das despesas corporativas na qualidade das informações disponíveis para análise. Quando uma empresa opera com planilhas, processos manuais de conciliação e gastos sem rastreabilidade, o processo de due diligence se torna mais lento, mais caro e mais arriscado.

Compradores e investidores analisam não apenas os números, mas a qualidade do controle financeiro interno. Uma empresa que não consegue apresentar rapidamente um histórico organizado de despesas, comprovantes de pagamento e conciliação de cartões corporativos transmite um sinal negativo sobre sua maturidade de gestão.

Por outro lado, empresas com processos financeiros automatizados e centralizados conseguem responder a solicitações de documentação com agilidade e precisão — o que acelera o processo e aumenta a confiança do comprador.

Como a Payfy prepara sua empresa para due diligence

A Payfy é uma plataforma de gestão de despesas corporativas que centraliza cartões corporativos, reembolsos, pagamentos corporativos via PIX e boletos em um único ambiente, com rastreabilidade completa e integração com ERPs como Totvs, Senior, Sankhya e Omie.

Na prática, isso significa que toda despesa da empresa — do primeiro lançamento ao fechamento do mês — fica registrada, categorizada e disponível para consulta ou exportação. Quando um processo de due diligence exige histórico de gastos por centro de custo, comprovantes de pagamento ou relatórios de conciliação, a equipe financeira consegue gerar esses dados em minutos, não em dias.

Os principais recursos da Payfy que suportam processos de due diligence e auditoria incluem:

  • Relatórios em tempo real exportáveis em Excel, PDF ou via API, prontos para integração com ERP
  • Categorização automática por IA com identificação de padrões e despesas fora da política
  • Conciliação automatizada de 100% dos comprovantes, com OCR e leitura de notas fiscais
  • Histórico rastreável de todos os gastos, aprovações e pagamentos com data, valor, CNPJ e categoria
  • Alertas de compliance financeiro para transações fora da política de gastos definida pela empresa
  • Integração direta com ERPs para sincronização de dados contábeis em tempo real

Para empresas que estão se preparando para uma rodada de investimento, um processo de M&A ou simplesmente querem fortalecer seus controles internos, a organização das despesas corporativas é um ponto de partida concreto.

Perguntas frequentes sobre due diligence

Quanto tempo dura um processo de due diligence?

Depende do porte da empresa e da complexidade da operação. Processos simples, como due diligence de fornecedores, podem ser concluídos em dias. Operações de M&A em empresas de médio porte geralmente levam de 4 a 12 semanas. Transações maiores, com múltiplas jurisdições e estruturas societárias complexas, podem durar meses.

Qual a diferença entre due diligence e compliance?

Due diligence é um processo pontual de investigação realizado antes de uma decisão específica. Compliance é um sistema contínuo de políticas, controles e normas que garante que a empresa opera dentro da lei no dia a dia. A due diligence de compliance é uma ferramenta dentro do programa de compliance — ela avalia se um parceiro ou fornecedor está em conformidade antes de formalizar a relação.

Due diligence é obrigatória por lei?

Não existe obrigação legal genérica de realizar due diligence. No entanto, a Lei Anticorrupção (12.846/2013) estabelece responsabilidade objetiva, o que torna a due diligence de terceiros uma proteção essencial. Setores regulados, como o financeiro, têm exigências específicas de customer due diligence (KYC) como parte das normas de prevenção à lavagem de dinheiro.

Quem pode realizar a due diligence?

O processo pode ser conduzido por uma equipe interna multidisciplinar ou por consultoria especializada externa. Para operações de M&A de maior porte, o mais comum é contratar consultores especializados em transaction services. Para due diligence de fornecedores e compliance, equipes internas bem estruturadas conseguem conduzir o processo com suporte de ferramentas tecnológicas.

O que são sinônimos de due diligence?

Os termos mais usados como sinônimos são: diligência prévia, diligência devida, auditoria prévia, análise de riscos, investigação prévia e levantamento de due diligence. Em contextos jurídicos, o termo "diligência necessária" também é utilizado. Todos remetem ao mesmo conceito central: investigação cuidadosa antes de uma decisão relevante.

Conclusão

Due diligence é, essencialmente, o exercício de não tomar decisões importantes no escuro. Seja numa aquisição, numa parceria estratégica ou na contratação de um fornecedor crítico, o processo estruturado de investigação é o que separa decisões fundamentadas de apostas. No contexto regulatório brasileiro — com responsabilidade objetiva pela Lei Anticorrupção e crescente exigência de compliance — ignorar esse processo é um risco que poucos negócios podem se dar ao luxo de correr.

Para times financeiros, a due diligence começa muito antes do processo formal: ela começa na qualidade dos controles internos, na rastreabilidade das despesas e na organização dos dados financeiros do dia a dia. Empresas que operam com processos automatizados e centralizados chegam a qualquer processo de investigação com mais agilidade, mais credibilidade e menos retrabalho.

Se sua empresa quer fortalecer os controles financeiros e estar preparada para auditorias e processos de due diligence, conheça a Payfy. Agende uma demonstração gratuita e veja como centralizar, rastrear e automatizar todas as despesas corporativas em uma única plataforma.

FAQ
Pare de aprovar gastos dos quais você se arrependerá
Pare de aprovar gastos dos quais você se arrependerá

Obtenha insights em tempo real sobre seus orçamentos, controle os gastos de cada centro de custo ou time e ajuste estratégias rapidamente para garantir conformidade.

Quero saber mais
Pare de aprovar gastos dos quais você se arrependerá
Pare de aprovar gastos dos quais você se arrependerá

Obtenha insights em tempo real sobre seus orçamentos, controle os gastos de cada centro de custo ou time e ajuste estratégias rapidamente para garantir conformidade.

Quero saber mais
Gerador automático de Política de Despesas
Padronize o financeiro em 5 minutos.
Gerador automático de Política de Despesas

Responda algumas perguntas e gere um documento completo. Crie sua Política de Despesas agora — em poucos cliques.

Criar minha política
Controle total das despesas, sem planilhas.
Controle total das despesas, sem planilhas.

Digitalize notas fiscais, defina limites e acompanhe tudo em tempo real.

Agende uma Demonstração
Simplifique a gestão de reembolsos da sua empresa
Simplifique a gestão de reembolsos da sua empresa

Digitalize notas fiscais, acompanhe aprovações em tempo real e conte com uma plataforma completa de gestão de despesas.

Agendar Demonstraço
Simplifique a gestão de despesas com cartões corporativos
Simplifique a gestão de despesas com cartões corporativos

Dê autonomia aos times com regras bem definidas, enquanto o financeiro monitora cada gasto com agilidade e segurança.

Agendar Demonstração
Linkedin
Linkedin
Email
https://payfy-io.webflow.io/blog/due-diligence-o-que-e-tipos-e-como-fazer-o-guia-completo
Precisa gerenciar despesas e reembolsos corporativos?
Temos uma demonstração exclusiva para você.
Neste artigo
Título
Título
Título
Título
Assine nossa newsletter
Receba conteúdos exclusivos sobre gestão financeira, otimização de gastos, processos financeiros e muito mais.
Obrigado!
Erro ao enviar. Por favor, tente novamente.
Concordar com a Política de privacidade da Payfy para receber os próximos passos por e-mail.
Agradecemos o seu interesse em conhecer a Payfy!
Algo deu errado. Por favor, tente novamente.